segunda-feira, 15 de julho de 2013

Desafio autárquicas 2013 – Condeixa -a-Nova!




Perante o cenário em que vivemos, mudar o paradigma na governação, quer a nível central quer autárquico, é urgente e inevitável.

No momento crítico que atravessamos, os cidadãos eleitores devem assumir o papel principal na condução e decisão do nosso destino como povo, reclamar a intervenção cívica e manter o pulso firme na responsabilização política, sem medos ou salamaleques.

O próximo acto eleitoral não será apenas a eleição dos órgãos do poder político autárquico mas também uma espécie de teste às estruturas internas dos partidos políticos, às suas lógicas de conquista de poder e à sua actuação no geral. Falamos em causa própria (como alguns de vós saberão), e assumimo-lo sem qualquer preconceito, indo de encontro aos ideais por nós defendidos: verdade, seriedade e transparência na política.

Sendo as eleições, independentemente da sua natureza, a expressão máxima da democracia, o momento alto para expormos o nosso agrado ou descontentamento para com aqueles que nos governam e nos representam, há que demonstrar a agonia e sufoco em que a maioria das famílias portuguesas vive nos dias de hoje. Há que demonstrá-lo às elites políticas, não numa lógica de contrapoder (como alguns certamente dirão), mas sim de necessidade de criar um futuro luminoso partindo deste obscuro presente, de pensar global e começar a agir local…

As pessoas estão cada vez mais esclarecidas e conscientes das grandes dificuldades que atravessamos pelo que as vãs promessas eleitorais, muitas vezes desfasadas do contexto, não farão o mesmo sentido de outrora. Não vale a pena embandeirar no ritual das campanhas eleitorais, distribuindo promessas avulsas de caracter populista, apenas para cacique ao voto. Não vale a pena continuar na mera táctica política, ou nas teias da partidarite, com o intuito de assegurar um qualquer resultado eleitoral ou lugar previamente anunciado. Os cidadãos têm sido permanentemente ludibriados pelos jogos políticos característicos dos partidos que estão ou estiveram no poder (PSD, CDS e PS) pelo que (cremos nós convictamente) refutarão o sentido da velha expressão de que “com festas e bolos se enganam os tolos”.

Em face das recentes mobilizações, de âmbito nacional, é por demais evidente que urge romper amarras. E a respeito deste tema, permitam-nos divergir de todos aqueles e aquelas que defendem a autonomização das eleições autárquicas. Relembramos que os resultados eleitorais autárquicos já desembocaram na queda de governos.

Há que fazer a luta toda, em todas as frentes e demonstrar o nosso descontentamento. Para isso contamos convosco…

Os primeiros desafios com que nos deparamos são perceber: 
  •  Em termos gerais:
A) Como operacionalizar a mudança e a alternativa? Será pela mudança de pessoas? Pela alternativa ao paradigma existente?
B) O que se pretende da competição eleitoral autárquica? Apontar argumentos contra ou a favor da actual governação ou abrir espaço ao debate sobre os desafios e as oportunidades do poder local?
C) Qual o papel do poder local no modelo de governação multinível?
D) Qual o propósito do poder político local num período de crise e de austeridade? Que modelo para a administração autárquica?

  • Em termos concelhios:
A) Que estratégia devemos adoptar por forma a garantir o desenvolvimento do concelho e, simultaneamente, responder aos graves problemas sociais com que nos deparamos? O que fazer localmente para atenuar os efeitos da crise e da austeridade nas famílias e nas empresas? Que papel pode (ou não) jogar, a autarquia, na diminuição do desemprego e apoio ao empreendedorismo?
B) Que politicas sociais devemos adoptar e cujo efeito resulte: no combate à pobreza e exclusão social, no acesso de todas as crianças a uma educação e acolhimento de qualidade, na criação de condições de vida condignas para todas as famílias em dificuldades? Que papel desempenhar na resposta às problemáticas decorrentes do envelhecimento populacional do Concelho? Que estratégia para a rede escolar, creches e instituições de apoio aos mais velhos?
C) O que fazer para travar a desertificação das diversas freguesias e qual o papel das infraestruturas, transportes e acessibilidades nesse combate? Não deverá a autarquia garantir a equidade de oportunidades, no acesso aos bens públicos, de todos munícipes?
D) Qual a importância do desporto na formação e desenvolvimento do individuo e do colectivo? Como incentivar a prática desportiva?
E)  Quais as estratégias e/ou acções a encetar no que respeita à requalificação e reabilitação urbana?
F)  Como racionalizar os consumos de água e energia? Que estratégia para tratamento de resíduos? Que políticas de solo devemos adoptar no que concerne ao desenvolvimento urbano e agro-florestal?
G)  O que fazer com os legados gastronómicos, culturais e com o património histórico do Concelho? Qual a importância da cultura no Concelho? E do património Histórico? E dos produtos endógenos? Poderão e/ou deverão ser estes um dos motores de desenvolvimento económico do concelho? Como preservar e divulgar as tradições e memórias das nossas gentes? Que tipo de apoios teremos de desenvolver? Que estratégia para o Turismo? Haverá espaço para a construção de uma marca Concelhia associada aos produtos endógenos?
H) Devemos ou não estabelecer sinergias e alianças com os diversos organismos e associações, inscrevendo-nos na região centro de Portugal e tirando partido desse posicionamento?

Mais importante que os nomes de família ou candidatos, os cidadãos eleitores devem exigir perceber os custos-benefícios, o conteúdo programático, e a direcção da mudança e da alternativa política. Não podemos ter somente em consideração a mera lógica partidária, as relações de amizade, o nome do candidato, as promessas encapotadas ou o medo de “represálias” futuras. Há que demarcar posições, acabando com o clientelismo e compadrio perpetuados por décadas de governação (local e central), e perceber a real capacidade de trabalho, o projecto, a disponibilidade e vontade de quem se perfila para assumir o compromisso.

Caros concidadãos, não permitam que as lógicas propagandistas, características do período eleitoral, vos apaguem a memória. A tão famosa política de proximidade e de descentralização, fugazmente defendida em período eleitoral, deve ser cultivada sempre e não somente em (pré) campanha eleitoral, ocasiões festivas com direito a galardões ou conversas sectárias de café. A democracia participativa pressupõe um trabalho de continuidade, de vivência e troca de experiências que vai mais além dos 6 meses que antecedem as eleições…

As pessoas não esperam mais promessas, brindes ou equipamentos supérfluos construídos para deslumbrar no momento e garantir votos (vejamos quando ocorrem a maioria das obras autárquicas), sem cumprir requisitos mínimos de sustentabilidade, eficácia e eficiência. Todos os cidadãos sabem que a política é feita com o dinheiro de todos nós (através do pagamento de impostos) e, como tal, deve ser gerido com rigor, isenção, responsabilidade.

Em suma, a escolha da equipa de gestão deve passar por conhecer, discutir e avaliar, tendo por base as convicções pessoais mas também o efeito prático para as populações em geral, o que os candidatos propõe relativamente a acção social, ciência e cultura, sustentabilidade ambiental, património, planeamento e gestão do território, recuperação e reconversão urbanística, gestão financeira, entre outros.

Por muitos anos permitimos que os outros pensassem por nós, agora basta, sugerimos que pensemos conjuntamente e debatamos com afinco e convicção as nossas ideias e propostas de solução. Atrevam-se a combater a inércia e a diferir dos que apenas criticam pelo simples acto de criticar… Atrevam-se a desafiar os poderes instituídos, atrevam-se a ter voz, a desbloquear o futuro… a colocar Condeixa na rota da modernidade e do sucesso, consubstanciada no recuo às nossas origens.
Nós acreditamos que é possível.

 Atreve-te… Desbloqueia o teu Futuro!